Existem três jeitos de carregar um carro elétrico: na tomada comum de casa, num carregador de parede (o wallbox) e num eletroposto de recarga rápida. A tomada é a opção mais lenta, o wallbox é o jeito mais prático de carregar em casa e o carregador rápido serve para viagens e imprevistos.
O tempo de recarga depende de duas coisas: quanta energia falta na bateria e qual é a menor potência entre o carregador e o carro. Num compacto como o BYD Dolphin Mini GL, que usamos como exemplo neste guia, encher a bateria num wallbox leva perto de 4 horas e meia. Num carregador rápido, ir de 20% a 80% leva pelo menos uns 36 minutos.
A seguir, cada tipo de recarga com tempo, custo e conector, e o que é preciso para instalar um carregador em casa.
Os três jeitos de carregar
Tomada comum
É a tomada de parede que você já tem em casa, de 10 ou 20 ampères. O carro é ligado por um carregador portátil, um cabo com uma caixa de controle no meio. Funciona, mas é lento: atende quem roda pouco por dia e deixa o carro conectado a noite inteira.
Carregador de parede (wallbox)
É um equipamento fixo, instalado na garagem com circuito elétrico próprio. Fornece corrente alternada (AC) com bem mais potência que a tomada comum. Na prática, você chega, liga o carro e ele está carregado de manhã.
Carregador rápido (DC)
Fica em eletropostos, shoppings, postos de combustível e rodovias. Entrega corrente contínua (DC) direto na bateria, com potência muito maior. É o que permite parar pouco mais de meia hora numa viagem e seguir em frente. Em compensação, o quilowatt-hora costuma sair bem mais caro que em casa.
Quanto tempo demora para carregar
A conta básica: tempo ≈ energia que falta na bateria ÷ potência da recarga. Se faltam 18 kWh e a recarga é de 30 kW, são cerca de 0,6 hora, ou 36 minutos.
Nosso exemplo é o BYD Dolphin Mini GL. Segundo a ficha técnica oficial da BYD, ele tem bateria de 30,08 kWh e aceita até 6,6 kW em corrente alternada e até 30 kW em corrente contínua. A versão GS tem bateria de 38,88 kWh e aceita até 40 kW em DC.
| Onde | Potência usada | Recarga | Tempo (cálculo) |
|---|---|---|---|
| Tomada comum 220 V, 10 A | até cerca de 2,2 kW | 0 a 100% | cerca de 13 h 40 min |
| Wallbox | 6,6 kW (limite do carro) | 0 a 100% | cerca de 4 h 33 min |
| Carregador rápido | 30 kW (limite do carro) | 20% a 80% | cerca de 36 min |
Esses tempos são o mínimo teórico. Na prática, a recarga demora mais, porque parte da energia se perde na conversão e porque a potência diminui quando a bateria está quase cheia. Por isso, no carregador rápido, é comum parar em torno de 80%: os últimos 20% são os mais lentos. Na tomada comum, a conta vale para 220 V com o carregador portátil puxando 10 A; em 127 V ou com um carregador que puxa menos corrente, a potência cai e o tempo aumenta.
A menor potência manda
Esse é o erro mais comum de quem vai comprar um carregador: achar que um equipamento mais potente sempre carrega mais rápido. O tempo é definido pelo elo mais fraco entre a instalação elétrica, o carregador e o carro.
- Um wallbox de 22 kW ligado a um carro que aceita no máximo 6,6 kW em AC vai carregar a 6,6 kW. Para esse carro, pagar mais pelo carregador maior não muda nada.
- Um wallbox de 22 kW só entrega essa potência em rede trifásica com capacidade para isso. Em instalação monofásica, ele fica limitado.
- Num eletroposto mais potente, o Dolphin Mini GL continua carregando a no máximo 30 kW. Carregador rápido de alta potência só faz diferença para carros que aceitam essa potência.
Antes de escolher um wallbox, procure na ficha técnica do seu carro a “potência de carregamento AC”. Esse é o teto: um carregador com essa potência, ou um pouco acima, já aproveita tudo o que o carro aceita.
Quanto custa cada recarga
Em casa, você paga a tarifa da sua conta de luz. No eletroposto, paga o preço que a empresa cobra, que a ANEEL deixa livre.
O valor de R$ 1,10 por kWh é uma estimativa nossa da tarifa residencial média com impostos no fim de 2026, feita a partir das projeções da ANEEL. O de R$ 2,00 no carregador rápido é só um exemplo: o preço varia entre redes e entre pontos. Para saber o seu custo real em casa, veja como achar o preço do kWh na sua conta de luz e quanto a tarifa muda entre distribuidoras em Quanto custa carregar um carro elétrico em casa.
A comparação completa com gasolina e etanol, com IPVA e revisões, está no guia Carro elétrico vale a pena?, do capítulo 5.
Quanto a recarga soma na conta de luz
Dá para prever o aumento da conta antes de começar a carregar em casa, com o consumo oficial do carro e os quilômetros que você roda por mês.
Os 10,8 kWh a cada 100 km são o consumo oficial do Dolphin Mini GL na tabela do Inmetro (PBEV). No uso real, com ar-condicionado ligado ou muita estrada em velocidade alta, o consumo tende a subir.
A tarifa branca, modalidade regulada pela ANEEL, cobra menos fora do horário de pico e mais dentro dele. Carregar de madrugada nessa modalidade pode baixar o custo, mas o resultado depende de todo o consumo da casa. Confira as faixas de horário e os preços no site da sua distribuidora antes de aderir.
Conectores: Tipo 2 e CCS2
No Brasil, o padrão que predomina é o conector Tipo 2 para corrente alternada e o CCS2 para corrente contínua. O CCS2 aproveita o desenho do Tipo 2 e acrescenta dois pinos grandes embaixo, para a corrente contínua. Por isso, a mesma entrada no carro aceita os dois plugues.
Um relatório técnico do Inmetro de 2024 sobre conectores constatou que o Tipo 2/CCS2 estava presente em quase todos os eletropostos do país. Mesmo assim, recomendou não impor um padrão obrigatório por regulamento naquele momento, entre outros motivos porque não encontrou indícios relevantes de falhas de segurança e porque a tecnologia ainda está em rápida evolução.
Onde carregar fora de casa
Segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) com a plataforma Tupi, divulgado em setembro de 2026, o Brasil tem quase 30 mil pontos de recarga públicos e semipúblicos. Cerca de 38% deles são de recarga rápida (DC).
Para encontrar os mais próximos, use os aplicativos das redes de recarga ou os mapas colaborativos, que costumam mostrar o tipo de conector, a potência e se o ponto está funcionando.
Pela regra da ANEEL, qualquer interessado pode oferecer recarga, inclusive como negócio, com preço livremente negociado. Por isso o preço e a forma de pagamento mudam bastante de um ponto para outro: vale conferir no aplicativo antes de conectar.
Instalar um carregador em casa
Carregar em casa é o que torna o elétrico barato no dia a dia. Mas a instalação precisa ser bem feita, porque o carro puxa corrente alta por várias horas seguidas.
- Siga a norma: no Brasil, a instalação de pontos de recarga segue a ABNT NBR 17019, junto com a NBR 5410 (instalações elétricas de baixa tensão). Entre outras exigências, cada ponto de recarga precisa de um circuito só dele e, na recarga em corrente alternada, de um dispositivo de proteção contra choque (DR) individual, que não é compartilhado com outros pontos.
- Chame um eletricista qualificado: ele vai avaliar se o seu padrão de entrada e o quadro de distribuição aguentam a nova carga, dimensionar cabos e disjuntor e verificar o aterramento.
- Verifique o tipo de ligação: em casa com ligação monofásica, a potência possível para o wallbox é mais limitada. O eletricista diz se vale pedir à distribuidora a mudança para bifásico ou trifásico.
- Em condomínio: converse com o síndico antes de qualquer obra. A instalação usa a rede do prédio e costuma precisar de aprovação.
Cuidados com a bateria na recarga
Até quanto carregar no dia a dia depende do tipo de bateria e da recomendação do fabricante, que está no manual do proprietário. Baterias de químicas diferentes podem ter orientações diferentes sobre carregar até 100% ou limitar a carga diária. O Dolphin Mini usa a bateria Blade da BYD, de fosfato de ferro-lítio (LFP): siga o que o manual do seu modelo diz para ela.
Algumas orientações valem para quase todos os elétricos:
- Use as funções de limite de carga e de agendamento do carro ou do aplicativo, se houver, do jeito que o manual indica.
- No dia a dia, prefira a recarga em casa; deixe o carregador rápido para quando precisar.
- Não deixe o carro parado por muitos dias com a bateria quase vazia.
Para calcular o tempo com a bateria do seu carro e o seu carregador, use a calculadora de tempo de recarga.
Para continuar: quanto custa e como instalar um wallbox, como carregar em condomínio, quanto dura a bateria e como planejar a recarga numa viagem.
Valores conferidos em outubro de 2026.
Fontes e Referências
- BYD Brasil, ficha técnica do Dolphin Mini 2026 (bateria, potência de recarga AC e DC, autonomia PBEV), atualização de 02/07/2026: byd.com
- Inmetro, Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), Tabela 2026 (consumo do Dolphin Mini GL): gov.br/inmetro
- Inmetro, Relatório de Análise de Impacto Regulatório sobre conectores para carregamento de veículos elétricos plug-in, 2024: gov.br/inmetro
- ANEEL, regras para recarga de veículos elétricos (Resolução Normativa 1.000/2021): gov.br/aneel
- ABVE e Tupi, levantamento de pontos de recarga públicos e semipúblicos, noticiado por Canal VE em 29/09/2026: canalve.com.br
- ABNT NBR 17019, requisitos para instalações de recarga de veículos elétricos, resumo técnico da revista O Setor Elétrico: osetoreletrico.com.br
- ANEEL, boletim InfoTarifas 2026 (projeções de tarifa usadas na estimativa de R$ 1,10/kWh): gov.br/aneel
Fontes consultadas em 03/10/2026.