Um wallbox de 7,4 kW custa a partir de R$ 3.475,80 na loja oficial da Intelbras, preço que conferimos em 4 de outubro de 2026. O da Tramontina, de mesma potência e com aplicativo, sai por R$ 5.636,63 no Pix na Fast Shop. A instalação é cobrada à parte e muda de uma casa para outra, porque depende da distância até o quadro de luz e do estado da instalação elétrica.
Antes de olhar preço, olhe o carro. Quem decide a velocidade da recarga é o carregador de bordo do veículo. O BYD Dolphin Mini, que usamos como exemplo, aceita no máximo 6,6 kW em corrente alternada: num wallbox de 7,4 kW ele vai de 0 a 100% em cerca de 4 h 33 min (versão GL). Um wallbox de 22 kW não deixa esse carro mais rápido.
E nem todo mundo precisa de wallbox. Se você roda pouco por dia e o carro passa a noite em casa, uma tomada de uso exclusivo, instalada por eletricista qualificado, pode dar conta.
Quanto custa um wallbox
Pesquisamos preços na loja oficial de um fabricante e numa grande varejista, no mesmo dia. Todos os modelos abaixo usam o conector Tipo 2, o mais comum nos carros vendidos no Brasil.
| Modelo | Potência | Preço | Onde (04/10/2026) |
|---|---|---|---|
| Intelbras Home (EVE 0074H) | 7,4 kW | R$ 3.475,80 | Loja oficial Intelbras |
| Tramontina com aplicativo | 7,4 kW | R$ 5.636,63 no Pix (R$ 6.262,92 parcelado) | Fast Shop |
| Intelbras City | 11 kW | R$ 4.741,87 (indisponível no dia) | Loja oficial Intelbras |
| Intelbras Business | 22 kW | R$ 7.899,00 | Loja oficial Intelbras |
Preço de loja muda com frequência: confira antes de comprar. Entre os dois modelos de 7,4 kW, a diferença está nos recursos. O da Tramontina tem aplicativo e visor; o Home da Intelbras libera a recarga por cartão de acesso ou no modo ligar e carregar.
A instalação não entra nesses valores. Não achamos preço de referência confiável para ela, e as estimativas da imprensa variam demais. O que encarece a obra é previsível: cabo longo do quadro até a garagem, quadro sem espaço para novos disjuntores, troca do padrão de entrada e, em alguns casos, transformador. Peça orçamento detalhado a pelo menos dois eletricistas qualificados.
7,4, 11 ou 22 kW: o carro manda
Todo carro elétrico tem um carregador de bordo, que converte a corrente alternada da rede para carregar a bateria. A potência dele aparece na ficha técnica como “potência de carregamento AC”. No Dolphin Mini, a ficha da BYD informa 6,6 kW nas duas versões, GL e GS. Esse é o teto: qualquer wallbox acima disso entrega no máximo 6,6 kW para esse carro.
A rede da sua casa também limita. As fichas técnicas da Intelbras mostram o efeito:
- 7,4 kW: o modelo Home trabalha em 220 V (fase e neutro, ou duas fases) e entrega 7,0 kW nessa tensão. Os 7,4 kW nominais são em 230 V.
- 11 kW: precisa de ligação trifásica em 380 V para chegar a 10,5 kW. Ligado em 220 V monofásico ou bifásico, funciona em só 3,5 kW, metade do que um wallbox de 7,4 kW entrega.
- 22 kW: também exige trifásico em 380 V (21,1 kW). Em 220 V monofásico ou bifásico, cai para 7,0 kW.
- Rede trifásica de 220 V: segundo as mesmas fichas, os modelos de 11 e 22 kW não funcionam nela, nem em 127 V, sem transformador.
Numa casa com 220 V, um wallbox de 11 kW pode carregar mais devagar que um de 7,4 kW. E com um carro que aceita 6,6 kW, nem a rede trifásica faz o carregador mais potente render mais.
Quanto tempo leva de 0 a 100% no Dolphin Mini
Montamos a tabela com a bateria informada pela BYD (30,08 kWh no GL e 38,88 kWh no GS) e a potência que de fato chega ao carro em cada situação. A conta é tempo = energia da bateria ÷ potência, a mesma do nosso guia de recarga.
| Carregador | Potência no carro | Dolphin Mini GL | Dolphin Mini GS |
|---|---|---|---|
| Tomada 127 V, 10 A | 1,27 kW | 23 h 41 min | 30 h 37 min |
| Tomada 220 V, 10 A | 2,2 kW | 13 h 40 min | 17 h 40 min |
| Wallbox 11 kW ligado em 220 V | 3,5 kW | 8 h 36 min | 11 h 7 min |
| Wallbox 7,4 kW em 220 V, ou 11/22 kW em 380 V trifásico | 6,6 kW (limite do carro) | 4 h 33 min | 5 h 53 min |
São tempos mínimos, de cálculo. Na prática a recarga demora um pouco mais, porque parte da energia se perde na conversão e a potência diminui quando a bateria está quase cheia. Nas linhas da tomada, 10 A é exemplo: o carregador portátil pode puxar outra corrente. A linha do wallbox de 11 kW em 220 V vale para o modelo da Intelbras; outros fabricantes podem se comportar de outro jeito.
Na última linha, 7,4, 11 ou 22 kW dão o mesmo tempo no Dolphin Mini. Na nossa tabela de preços, o de 22 kW custa R$ 4.423,20 a mais que o 7,4 kW mais barato, sem um minuto a menos de recarga para esse carro.
Quando a tomada comum basta
Quase ninguém carrega de 0 a 100% todo dia. O que importa é repor o que você rodou. Pelo consumo oficial do Inmetro, o Dolphin Mini GL gasta 10,8 kWh a cada 100 km.
Pela conta, quem roda algumas dezenas de quilômetros por dia e deixa o carro conectado à noite consegue viver com a tomada, principalmente em 220 V.
“Tomada comum”, aqui, não é qualquer tomada da casa. A norma técnica de sistemas de recarga dos Bombeiros de Goiás (NT 45/2026) descreve o carregador portátil ligado a uma tomada de uso específico: uma tomada só para aquele equipamento, num circuito exclusivo, no padrão brasileiro de plugues e tomadas (NBR 14136). A mesma norma proíbe carregar em tomada de uso geral e com adaptador ou extensão. Ela vale em Goiás e, para casas, é recomendação, mas a lógica de segurança serve para qualquer lugar.
O que a instalação exige
No Brasil, a instalação de pontos de recarga segue duas normas da ABNT: a NBR 5410, de instalações elétricas de baixa tensão, e a NBR 17019, de abril de 2022, específica para alimentação de veículos elétricos. Pela cartilha da Celesc com o Crea-SC, os Bombeiros de Santa Catarina e a ABVE, a instalação interna, depois do ponto de conexão com a distribuidora, é responsabilidade do consumidor.
Este é um resumo para você conversar com o profissional, não um roteiro de obra. Quem projeta e executa é um eletricista qualificado, que vai cuidar destes pontos:
- Circuito exclusivo: segundo o resumo técnico da NBR 17019 publicado pela revista O Setor Elétrico, cada ponto de recarga tem circuito próprio. A NT 45/2026 de Goiás traz a mesma exigência.
- Disjuntor e DR próprios: proteção contra sobrecorrente (disjuntor) e contra choque (DR) para o ponto de recarga, como pede a NT 45/2026. Em corrente alternada, pelo mesmo resumo da NBR 17019, o DR é individual por ponto, sem compartilhar.
- DPS: a NT 45/2026 pede dispositivo de proteção contra surtos no quadro que alimenta o carregador, com o disjuntor do carregador identificado.
- Cabo do tamanho certo: o manual do wallbox de 7,4 kW da Intelbras recomenda, no mínimo, cabos de 6 mm² para 7 kW, e bitola maior quando a distância é longa, sempre dimensionando pela NBR 5410.
- Nada direto no padrão de entrada: a NT 45/2026 proíbe ligar o carregador direto nos bornes do disjuntor do padrão de entrada.
- Padrão de entrada e distribuidora: se o padrão não aguentar a nova carga, a cartilha da Celesc orienta pedir aumento de carga à distribuidora. O eletricista avalia se é o seu caso.
- Tensão certa para o modelo: o wallbox de 7,4 kW da Intelbras, por exemplo, pede 220 V. Em casa só com 127 V, o manual do fabricante indica ligação bifásica de 220 V ou transformador.
A cartilha da Celesc também recomenda exigir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrada no Crea e instalar só estações certificadas pelas normas brasileiras e pela Anatel.
Checklist antes de comprar e instalar
- Veja na ficha técnica do carro a potência de carregamento AC (6,6 kW no Dolphin Mini).
- Descubra com o eletricista o tipo de ligação da casa: monofásica, bifásica ou trifásica, e a tensão (127 V, 220 V ou 380 V).
- Escolha a potência do wallbox pelo menor dos dois limites. Para um carro que aceita até 6,6 kW em AC, como o Dolphin Mini, 7,4 kW já aproveita tudo.
- Confira na ficha do wallbox como ele funciona na sua tensão. Modelos trifásicos podem render pouco em 220 V.
- Peça certificação do equipamento (ABNT NBR IEC 61851-1 e Anatel) e veja a garantia.
- Antes de comprar, chame um eletricista qualificado para avaliar quadro, padrão de entrada e aterramento.
- Peça que o orçamento descreva circuito, disjuntor, DR, DPS, bitola do cabo e se haverá pedido de aumento de carga, e peça a ART do serviço.
- Em condomínio, fale com o síndico antes de qualquer obra.
- Se não for comprar wallbox agora, peça pelo menos uma tomada de uso exclusivo para o carregador portátil.
Vale a pena comprar um wallbox?
O wallbox não deixa a recarga mais barata: o kWh é o mesmo da sua conta de luz, e o cálculo de quanto isso pesa no mês está no nosso post sobre quanto custa carregar um carro elétrico em casa. O que ele compra é tempo.
Se você roda pouco, tem 220 V na garagem e o carro dorme em casa, uma tomada exclusiva feita por eletricista qualificado pode bastar. Se roda muito, tem pouco tempo de carro parado, divide a garagem entre dois elétricos ou só tem 127 V (onde a tomada é a mais lenta da tabela), um wallbox de 7,4 kW é, pela nossa tabela, o que dá o tempo mínimo do Dolphin Mini pelo menor preço (lembrando que ele pede ligação de 220 V). Wallbox de 11 ou 22 kW só faz sentido com rede trifásica de 380 V e um carro que aceite mais que 7,4 kW em corrente alternada.
Mora em prédio? Veja o que diz a lei e como pedir a recarga no condomínio. Quer gerar a própria energia? Veja a conta da energia solar para o carro.
Valores conferidos em outubro de 2026.
Fontes e Referências
- BYD Brasil, ficha técnica do Dolphin Mini 2026 (bateria, potência de carregamento AC e DC), atualização de 02/07/2026: byd.com
- Inmetro, Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), Tabela 2026 (consumo do Dolphin Mini GL): gov.br/inmetro
- Loja oficial Intelbras, Estação de recarga Home AC 7,4 kW, preço em 04/10/2026: loja.intelbras.com.br
- Loja oficial Intelbras, Estação de recarga City AC 11 kW, preço em 04/10/2026: loja.intelbras.com.br
- Loja oficial Intelbras, Estação de recarga Business AC 22 kW, preço em 04/10/2026: loja.intelbras.com.br
- Fast Shop, Estação de Recarga para Veículos Elétricos 7,4 kW Tramontina com Aplicativo, preço em 04/10/2026: fastshop.com.br
- Intelbras, datasheet EVE 0074H (Home 7,4 kW): intelbras.com e manual de instalação: intelbras.com
- Intelbras, datasheet EVE 0110C (City 11 kW): intelbras.com
- Intelbras, datasheet EVE 0220B (Business 22 kW): intelbras.com
- Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, Norma Técnica 45/2026, Sistemas de recarga de veículos eletrificados: bombeiros.go.gov.br
- FIESC, Celesc, CBMSC, Crea-SC e ABVE, cartilha orientativa “Instalação de Estação de Recarga para Veículos Elétricos”, outubro de 2024: celesc.com.br
- ABNT NBR 17019:2022, Instalações elétricas de baixa tensão, alimentação de veículos elétricos (ficha da norma): target.com.br
- Resumo técnico da NBR 17019, revista O Setor Elétrico: osetoreletrico.com.br
Consultas feitas em 4 de outubro de 2026.