Depende de duas perguntas: você tem onde carregar o carro todo dia, e quanto do seu trajeto diário cabe na bateria? Com tomada em casa, o elétrico é o mais barato para rodar: com o consumo do Inmetro e o kWh a R$ 1,10, o BYD Yuan Pro gasta R$ 15,62 a cada 100 km. O Toyota Yaris Cross híbrido, na mesma faixa de preço, gasta R$ 39,43 na gasolina e R$ 34,69 no etanol.
O híbrido plug-in depende de como você usa. Carregado todo dia, faz os primeiros 35 a 49 km na eletricidade, nos modelos que comparamos. Com a bateria vazia, o BYD Song Pro GL gasta R$ 51,16 a cada 100 km pelo consumo oficial no modo combustão, mais que um Chevrolet Onix a gasolina (R$ 48,86). Sem tomada, o híbrido comum é o que economiza sem você mudar nada na rotina, e a vantagem dele aparece mais na cidade do que na estrada.
Híbrido, plug-in e elétrico: o que muda
O Inmetro define os três tipos na Portaria 169/2023, que regula a etiqueta de consumo. Na prática:
- Elétrico (BEV): usa só a bateria para andar. Carrega na tomada, no wallbox ou no eletroposto.
- Híbrido (HEV): tem motor a combustão e um sistema elétrico com bateria, mas a bateria é recarregada a bordo, pelo próprio carro. Você só abastece no posto.
- Híbrido plug-in (PHEV): é um híbrido com bateria maior que também pode ser carregada na tomada. Roda alguns quilômetros só na eletricidade e, quando a bateria baixa, o motor a combustão assume.
Os carros que comparamos
Escolhemos modelos com FIPE de 0 km entre R$ 165 mil e R$ 200 mil (outubro de 2026). O Yaris Cross XRE também existe sem o sistema híbrido, o que isola o efeito do híbrido num carro igual.
| Modelo | Tipo | FIPE 0 km |
|---|---|---|
| Toyota Yaris Cross XRE Hybrid | Híbrido flex | R$ 177.351 |
| Toyota Yaris Cross XRE (sem híbrido) | Flex | R$ 162.357 |
| GWM Haval H6 HEV ONE | Híbrido a gasolina | R$ 199.540 |
| BYD King GL DM-i | Plug-in a gasolina | R$ 165.295 |
| BYD Song Pro GL DM-i | Plug-in a gasolina | R$ 188.437 |
| BYD Yuan Pro | Elétrico | R$ 182.990 |
| BYD Dolphin Plus | Elétrico | R$ 182.902 |
A lista de todos os elétricos vendidos aqui está em Carros elétricos à venda no Brasil.
O consumo oficial do Inmetro
Estes são os números da tabela 2026 do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) para os carros comparados (cidade / estrada):
| Modelo | Gasolina (km/l) | Etanol (km/l) | Elétrico |
|---|---|---|---|
| Yaris Cross XRE Hybrid | 17,9 / 15,3 | 13,2 / 10,7 | não tem |
| Yaris Cross XRE flex | 12,6 / 14,3 | 8,8 / 10,2 | não tem |
| Haval H6 HEV ONE | 14,7 / 11,4 | não usa | não tem |
| King GL DM-i | 17,1 / 13,6 | não usa | 35 km de autonomia |
| Song Pro GL DM-i | 14,7 / 11,0 | não usa | 49 km de autonomia |
| Yuan Pro | não usa | não usa | 14,2 kWh/100 km; 250 km |
| Dolphin Plus | não usa | não usa | 14,2 kWh/100 km; 330 km |
Repare no Yaris Cross: com o sistema híbrido, ele faz 42% mais quilômetros por litro de gasolina na cidade (17,9 contra 12,6), mas só 7% mais na estrada (15,3 contra 14,3).
Nem todo “hybrid” economiza nessa proporção. Na mesma tabela, o Fiat Pulse Audace Hybrid faz 13,4 km/l de gasolina na cidade, contra 12,3 do Pulse turbo sem o sistema, e os dois fazem 14,4 na estrada. Antes de pagar a mais, compare a etiqueta do híbrido com a da versão sem o sistema.
Como ler a etiqueta de um plug-in
A etiqueta do plug-in traz três números, cada um de um ensaio. Conferimos a regra nos Anexos E e F da Portaria 169/2023:
- km/l de gasolina: é o consumo no modo combustão, medido em carga sustentada (a bateria já no nível mínimo e o motor a combustão fazendo o trabalho). É o que você vai ver se nunca carregar o carro na tomada.
- Autonomia elétrica (km): distância que o carro roda sem ligar o motor a combustão, partindo da bateria cheia. O número da etiqueta combina cidade (55%) e estrada (45%) e é multiplicado por 0,7, o mesmo desconto que o Inmetro aplica ao elétrico.
- km/le (quilômetros por litro equivalente): mistura eletricidade e gasolina num número só, com um “fator de utilização” previsto na norma ABNT NBR 16567, que estima quanto do uso é feito na bateria. No Song Pro GL, dá 41,1 km/le na cidade.
Custo por 100 km: a conta dos três tipos
As premissas são as dos outros guias do site: gasolina a R$ 6,55 e etanol a R$ 4,13 (média Brasil da ANP de 27/09 a 03/10/2026), kWh residencial a R$ 1,10 (estimativa com impostos) e recarga rápida a R$ 2,00/kWh, só como exemplo. O consumo combinado pesa 55% cidade e 45% estrada, como no Onix do guia Carro elétrico vale a pena?.
| Carro e uso | Consumo | R$ por 100 km | R$ em 1.000 km |
|---|---|---|---|
| Yuan Pro / Dolphin Plus, recarga em casa | 14,2 kWh | R$ 15,62 | R$ 156 |
| Yuan Pro / Dolphin Plus, recarga rápida | 14,2 kWh | R$ 28,40 | R$ 284 |
| Song Pro GL só na bateria (estimativa, teto) | 26,4 kWh* | R$ 29,04 | R$ 290 |
| Yaris Cross Hybrid, etanol | 11,9 km/l | R$ 34,69 | R$ 347 |
| Yaris Cross Hybrid, gasolina | 16,6 km/l | R$ 39,43 | R$ 394 |
| Song Pro GL, metade bateria e metade gasolina (estimativa) | misto* | R$ 40,10 | R$ 401 |
| King GL, bateria vazia | 15,3 km/l | R$ 42,84 | R$ 428 |
| Yaris Cross flex, etanol | 9,4 km/l | R$ 43,94 | R$ 439 |
| Onix LT 1.0 Turbo, gasolina (referência) | 13,4 km/l | R$ 48,86 | R$ 489 |
| Yaris Cross flex, gasolina | 13,3 km/l | R$ 49,26 | R$ 493 |
| Haval H6 HEV, gasolina | 13,0 km/l | R$ 50,37 | R$ 504 |
| Song Pro GL, bateria vazia | 12,8 km/l | R$ 51,16 | R$ 512 |
* Estimativa nossa, não número do Inmetro: o PBEV não publica o consumo só elétrico do plug-in, então dividimos a bateria pela autonomia elétrica da etiqueta. O método erra para cima: no Dolphin Mini GL, que tem consumo oficial, ele dá 13,4 kWh/100 km (30,08 kWh ÷ 224 km), contra 10,8 do Inmetro, cerca de 24% a mais. Por isso os R$ 29,04 são um teto.
Para refazer com os seus preços, use a calculadora de custo por km. O preço do kWh da sua conta de luz está explicado em Quanto custa carregar um carro elétrico em casa.
O híbrido paga a diferença de preço?
Só com combustível, demora. O Yaris Cross XRE Hybrid custa R$ 14.994 a mais que o XRE flex na FIPE. Na gasolina, o híbrido economiza R$ 9,83 a cada 100 km (R$ 49,26 menos R$ 39,43). Para recuperar a diferença, são cerca de 152.500 km. Rodando 1.000 km por mês, são quase 13 anos. No etanol, a economia é de R$ 9,25 por 100 km, e a conta passa de 162 mil km. Ficam de fora seguro, revisão, revenda e IPVA, que vem a seguir.
IPVA: onde o híbrido ganha ou perde
Cada estado tem a sua regra (a tabela completa, com a lei de cada um, está em IPVA de carro elétrico em 2026). Dois exemplos mostram como o tipo muda o imposto:
- São Paulo: o elétrico paga os mesmos 4% de qualquer carro. Já o híbrido com motor que aceita etanol, de até R$ 250 mil (valor corrigido pelo IPCA), está isento em 2025 e 2026, desde que o motor elétrico cumpra as especificações definidas pela Secretaria da Fazenda. Depois, a lei prevê 1% em 2027, 2% em 2028, 3% em 2029 e 4% a partir de 2030. O Yaris Cross Hybrid é flex, mas não conferimos se o motor elétrico dele atende à exigência: confirme na Secretaria da Fazenda antes de contar com o benefício. Os plug-ins da BYD e o Haval H6 são só a gasolina e ficam de fora.
- Rio de Janeiro: elétrico paga 0,5%, híbrido (comum ou plug-in) paga 1,5% e o carro a combustão (gasolina ou flex), 4%.
É estimativa: a Fazenda usa tabela própria, que pode ficar acima ou abaixo da FIPE, e o valor venal cai a cada ano. Um ano inteiro de isenção equivale a perto de 43% da diferença de preço para o flex, mas a isenção termina em 31/12/2026. A partir daí, a vantagem do híbrido em São Paulo são as alíquotas menores de 2027 a 2029.
Guia: qual tipo faz sentido para o seu uso
Responda na ordem e pare na primeira pergunta que bater.
- Não tem onde carregar em casa nem no trabalho? O híbrido comum é o que economiza sem mudar a rotina. O plug-in sem tomada vira um carro a gasolina pesado (R$ 51,16/100 km no Song Pro GL). O elétrico só entra se houver eletroposto perto e você aceitar o tempo de recarga: a R$ 2,00/kWh ele gasta R$ 28,40/100 km, menos que o Yaris Cross Hybrid, mas quase o dobro da tomada de casa.
- Tem tomada e roda por dia menos da metade da autonomia do Inmetro do elétrico? O elétrico é o mais barato por km. Com 250 km de autonomia no Yuan Pro, quem roda 40 ou 50 km por dia carrega uma ou duas vezes por semana. A folga cobre o que a autonomia perde no uso real, explicado em Autonomia real × autonomia do Inmetro.
- Tem tomada, o trajeto diário cabe na autonomia elétrica do plug-in (35 a 49 km no King e no Song Pro) e você pega estrada longe de eletroposto com frequência? Aqui o plug-in faz sentido: rodando a semana na bateria e a viagem na gasolina, o custo fica entre menos de R$ 29 (teto estimado só na bateria) e R$ 51 por 100 km (bateria vazia), conforme a proporção. A condição é carregar todo dia.
- Roda mais na cidade e quer usar etanol? O híbrido flex é o único dos três que aproveita o etanol: R$ 34,69/100 km no Yaris Cross Hybrid. Em São Paulo, pode ter IPVA reduzido até 2029, se atender à exigência da Fazenda.
- Roda pouco, quase só na estrada? Nenhum dos três paga a diferença de preço rápido: no Yaris Cross o híbrido ganha só 7% na estrada, e quem roda pouco acumula pouca economia. A versão sem eletrificação tende a sair mais barata na soma.
Para a conta completa do elétrico contra o carro a combustão, com seguro, revisão e revenda, veja Carro elétrico vale a pena?.
Valores conferidos em outubro de 2026.
Fontes e Referências
- Inmetro, Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), Tabela 2026 (atualização de 27/02/2026): gov.br/inmetro
- Inmetro, Portaria nº 169, de 3 de maio de 2023 (Requisitos de Avaliação da Conformidade para veículos leves; definições e Anexos E e F): Diário Oficial da União
- BYD Brasil, ficha técnica Song Pro DM-i 2026: byd.com
- BYD Brasil, ficha técnica King DM-i 2026: byd.com
- BYD Brasil, ficha técnica Dolphin Mini 2026: byd.com
- Tabela FIPE, referência outubro de 2026, carros 0 km: veiculos.fipe.org.br
- ANP, Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 27/09 a 03/10/2026: gov.br/anp
- São Paulo, Lei 18.065, de 18 de dezembro de 2024 (isenção de IPVA para híbrido a etanol ou flex): texto da lei
- Rio de Janeiro, Lei 2.877/1997 (IPVA), art. 10, com redação da Lei 7.068/2015: texto da lei
Consultas feitas em 4 de outubro de 2026.